9 respostas sobre o Ebola que acabarão com suas dúvidas

São vários os questionamentos que recebo sobre o Ebola. Tanto de profissionais de saúde quanto de pessoas preocupadas com os riscos da epidemia aqui no Brasil.

Complementando o que já conversamos aqui, a doença, antes limitada a poucos países do continente africano, hoje parece um pouco mais próxima de nós com casos diagnosticados na Europa e nos Estados Unidos. Descubra agora o quanto este cenário pode ser preocupante.

Como ocorre a transmissão do vírus Ebola?

Resposta: A transmissão se dá através de contato direto com fluídos contaminados. Por contato direto, entende-se tocar o paciente diretamente em áreas do corpo com presença de fluídos ou em ambiente contaminado por matéria orgânica.

Por fluídos entende-se: fezes, urina, vômito, sangue, muco, suor, sêmem e tudo o que sair do corpo da pessoa infectada no período de sintomas.

O Ebola não é transmitido pelo ar nem através de contatos casuais.

Não está claro se para que a transmissão ocorra é necessário que o contato seja em mucosa, como os olhos ou em pele lesionada. A orientação do Ministério da Saúde é proteger todas as áreas expostas com EPI (equipamento de proteção individual). Saiba mais aqui.

Quem pode transmitir a doença?

Resposta: Só transmite a doença o indivíduo contaminado pelo Ebola e que apresente sintomas. Após o contato com um paciente de Ebola, a pessoa pode apresentar a doença em um período que varia entre 2 e 21 dias.

Quais são os principais sintomas da doença?

Resposta: Os primeiros sintomas não são específicos. Frequentemente a doença é caracterizada pelo início repentino de febre, fraqueza, dor muscular, dores de cabeça e inflamação na garganta. Posteriormente podem ocorrer vômitos, diarreia insuficiência renal e hepática e em alguns casos, sangramento interno e externo.

Quem pode ser considerado como caso suspeito?

Resposta: Por definição, caso suspeito de Ebola é todo indivíduo que apresente febre e que seja procedente de área com transmissão atual de Ebola. Até o momento os países considerados pela OMS são Libéria, Guiné e Serra Leoa.

O que será feito caso um paciente seja caracterizado como caso suspeito de Ebola em um serviço de Pronto Atendimento?

Resposta: Cada hospital precisa ter elaborado um fluxo de atendimento que contemple a rápida identificação do paciente suspeito e sua rápida acomodação em sala privativa com WC até que o transporte especial chegue para realizar a transferência ao hospital de referência.

É importante ressaltar que apenas os hospitais de referência no Brasil – Emilio Ribas de São Paulo e Evandro Chagas no Rio de Janeiro, podem realizar o manejo desse caso. Sendo assim, a função dos Pronto Atendimentos públicos e privados, até o momento, é identificar, isolar e transferir o paciente.

Cada estado conta com ambulâncias destinadas especificamente para o transporte de paciente suspeito de Ebola aos hospitais de referência.

Se um paciente ficou na sala de espera de um Pronto Socorro pode ter havido contágio de outros indivíduos?

Resposta: É pouco provável que isso ocorra, já que contatos eventuais não parecem capazes de ocasionar transmissão, entretanto, as autoridades sanitárias podem determinar o acompanhamento destas pessoas como medida de precaução.

Em quanto tempo um indivíduo diagnosticado com o Ebola ficará livre do vírus e não mais transmitirá a doença?

Resposta:  Aproximadamente após duas semanas do início dos sintomas de Ebola o paciente, caso tenha sobrevivido, estará em fase de recuperação. Entretanto, existem relatos de isolamento no vírus Ebola no sêmem de pacientes por mais de 60 dias após a cura, sendo assim, a OMS orienta a utilização de preservativos por pelo menos 3 meses após o período de recuperação. Veja aqui.

Qual a taxa de mortalidade do Ebola?

Resposta: A taxa de mortalidade da epidemia atual nos países da África tem sido em torno de 60 a 90%. O mesmo provavelmente não será visto nos casos tratados na Europa e nos Estados Unidos considerando toda a infraestrutura da saúde quanto a cuidados intensivos e medidas de suporte de vida, mesmo não havendo ainda tratamento específico para o vírus.

Quais cuidados a população geral deve ter para se prevenir do Ebola?

Resposta: De maneira geral, quem não é procedente das áreas endêmicas (Guiné, Libéria e Serra Leoa) ou não esteve em contato com casos suspeitos de Ebola não deve ter nenhum cuidado especial.

Como já falamos aqui, o Ebola é menos contagioso do que a maioria das doenças transmissíveis que convivemos.

O que a população pode fazer de melhor é manter-se informada através de fontes seguras e não através de noticias que buscam levar o pânico em redes sociais e grupos de conversa.

 

Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.