Ajudar faz bem para a saúde. Mas apenas se for pelo motivo certo

Tem circulado na internet um vídeo tailandês muito bonito. O anúncio da operadora móvel tailandesa True Move H tem cerca de três minutos e já conta com milhões de visualizações. O vídeo chama-se “Giving” e mostra como praticar boas ações sem pedir nada em troca, influencia a vida das pessoas e pode trazer uma retribuição, muitas vezes inesperada.

Se você ainda não assistiu o vídeo, assista aqui: http://www.youtube.com/watch?v=kuBNEs-1vTc

Existe algo realmente muito gratificante que acompanha as boas ações. Todas as vezes que praticamos o bem, nos sentimos melhor e com a legítima sensação de que recebemos mais do que ofertamos. Este efeito tem sido retratado em estudos que mostram que o voluntariado traz benefícios que vão além da saúde mental passando também pelo bem estar físico.

Um artigo publicado na revista Psycology and Aging em junho deste ano, resumo aqui, concluiu, após analisar informações fornecidas por adultos com mais de 50 anos durante os anos de 2006 a 2010, que aqueles que fizeram ao menos 200 horas de trabalho voluntário ao ano apresentaram menos risco de desenvolver hipertensão arterial comparado aos adultos que não realizaram ações voluntárias. Foi observado também aumento de bem estar psicológico no grupo que se voluntariou.

Não é possível provar que o voluntariado atuou diretamente na redução da hipertensão, mas é uma associação que merece crédito.

Por que faz bem?generosity

Poderíamos gastar bastante tempo exemplificando o quanto e o porquê do voluntariado nos fazer bem. Parece óbvio: existem muito a fazer pelos que precisam e é quase impossível ignorar o ambiente de carência que nos cerca. Além disso, fazer o bem pode nos tornar fisicamente mais ativos a medida que nos envolvemos com atividades voluntarias que exijam mais do nosso corpo.

Tudo bem, isso tudo é verdade. Mas a grande sacada do voluntariado veio desse outro estudo “Motives for volunteering are associated with mortality risk in older adults”, resumo aqui.

O estudo analisa os efeitos do voluntariado considerando a motivação do indivíduo. A conclusão é, no mínimo, reveladora. Pessoas que praticam o bem ou que se envolvem em causas com base em motivações egoístas, a exemplo de aumentar contatos para negócios, abrir caminho para uma carreira política ou para conhecer pretendentes, NÃO OBTEM BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE e redução da mortalidade, de acordo com os resultados do estudo.

Como avaliar as nossas próprias razões

No estudo que citei, os pesquisadores questionaram os participantes a respeito da possível motivação de sua generosidade, classificando-as em orientadas pela necessidade do outro nos casos de respostas como: “Considero importante ajudar as pessoas” ou ainda “Sinto compaixão pelos necessitados” ou orientada na própria necessidade com base em respostas como “Fazer o bem faz com que me sinta melhor a respeito de mim mesmo” ou “Posso explorar minha força, minha disposição”.

generosity 2Enfim, fazer o bem buscando benefício próprio não fará bem para a sua saúde e, provavelmente, não será algo duradouro e sustentado. Vale a pena avaliar e rever as nossas motivações regularmente.

Para a ciência, a associação de motivação e bem estar pode estar sendo melhor definida a cada dia, mas na realidade, fazer o bem é algo consagrado e incentivado há muito tempo:

 

 

E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos. 
Gálatas 6:9

 

 

Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.