Álcool: não existe dose segura para grávidas

1104-L~1Da próxima vez que você vir uma gestante com uma taça de vinho nas mãos fique a vontade para dizer “minha querida, não faça isso”. E nem faz diferença qual o tamanho dessa taça.

A verdade é que neurocientistas da Universidade da California provaram que a exposição pré-natal ao álcool altera de maneira significativa a expressão de genes assim como o desenvolvimento do neocortex – a parte do cérebro responsável pela cognição, visão, audição, toque, equilíbrio, habilidade motora, linguagem e emoção.

Kelly Huffman, professora assistente de psicologia na Universidade da California e autora do estudo publicado na edição de novembro do  The Journal of Neuroscience (aqui) faz o alerta: “Se você ingerir álcool quando está grávida poderá interromper o desenvolvimento do cérebro do seu bebê”.

Outros estudos já realizados mostraram que mesmo pequenas doses são capazes de causar impacto no cérebro dos pequenos. Doenças ocasionadas pelo consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação, como a SAF – Síndrome Alcoólica Fetal, que é considerada a causa mais comum de retardo mental infantil de natureza não hereditária, fazem parte de um conjunto de síndromes caracterizadas pela presença de defeitos congênitos ocasionados pelo consumo materno de álcool durante a gravidez.

As mulheres que consomem bebidas alcoólicas na gestação têm mais chances de dar à luz a bebês com problemas de fala e linguagem, de concentração e de hiperatividade, se comparadas àquelas que não bebem. A associação do álcool ao aumento da violência, a inúmeras comorbidades e agora a dano cerebral na gestação vai transformando a bebida alcoólica em algo nada inocente e menos ainda, inofensivo.

A gravidez é um período de decisões importantes e cortar definitivamente o consumo de álcool é uma excelente maneira de garantir um bom começo de vida para o bebê.

Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.