Anvisa cria regras para ‘sujeira tolerada’ em alimentos. Mas continuaremos comendo insetos!

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Obrigada, ANVISA, agradecemos de coração.

A folha de São Paulo publicou ontem que a partir desta semana, a indústria alimentícia terá parâmetros definidos sobre a quantidade de “sujeira” tolerada em bebidas e alimentos vendidos no Brasil.

O anúncio diz respeito a uma norma aprovada na semana passada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que aponta limites máximos de “matérias estranhas macroscópicas e microscópicas”.

Já aconteceu comigo e é terrível. Meu filho, na época com cerca de 5 aninhos, mordeu uma trufa com larvas no recheio. Pra mim foi um trauma, ele nem faz ideia disso.

A verdade é que partículas bem menores que larvas e às vezes, microscópicas, como fragmentos de insetos, por exemplo, estão presentes nos nossos alimentos. A ANVISA alega aceitar pelos de ratos (pois é) em produtos como geleia e achocolatados, mas afirma que não serão tolerados fragmentos de baratas, formigas e moscas.

Ufa, ANVISA, bom saber…

Acredito que as indústrias possuam normas de segurança e controle já bem estabelecidos (assim espero), o que a ANVISA fez foi estabelecer parâmetros para então ter condições de fiscalizar.

Na reportagem da folha, o diretor da Anvisa Renato Porto diz que eliminar qualquer traço dessas matérias é, muitas vezes, inviável. 

A ABC News alegou recentemente que cada barra de chocolate americana contem cerca de 8 fragmentos de insetos. É tão  nojento que chega a ser inacreditável, não é mesmo? O FDA (Food and Drug Administration) permite algo em torno de 60 fragmentos de insetos a cada 100 gramas de chocolate. Então, apesar de ser nojento, não é ilegal.

O que os olhos não veem o coração não sente

Em alguns casos a ignorância pode realmente ser uma bênção. É preciso lembrar porém, em se tratando de alimentos, que as fazendas não são laboratórios farmacêuticos e que os insetos são os moradores oficiais de todo aquele território. Sendo assim, concordando com o diretor da ANVISA, não dá pra eliminar por completo a presença de insetos.

A antropóloga Layla Eplett afirma no Scientific American Guest Blog  que “um indivíduo provavelmente ingere cerca de 1 kg de moscas, larvas e outros insetos a cada ano, sem ao menos de dar conta”.

Então, não há grandes revelações para nós. Já comemos insetos e vamos continuar comendo. Não há nada que possamos fazer…

Bom apetite, rs!

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Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.