Começa a Campanha de Vacinação contra a Gripe – Por que as grávidas não podem ficar de fora?

flu-shotA gripe, ou influenza, é uma doença viral muito prevalente e altamente contagiosa. A transmissão do vírus ocorre por meio de secreções das vias respiratórias que a pessoa gripada elimina ao falar, tossir, espirrar ou ainda pelas mãos, que contaminam as superfícies recém tocadas por quem está gripado. Por isso que no inverno, quando ficamos em locais mais fechados, a disseminação aumenta.

Os sintomas são velhos conhecidos nossos e geralmente incluem febre, tosse, dor de garganta, coriza, dor no corpo, dor de cabeça e cansaço. Calcula-se que durante uma epidemia, cerca de 5 a 15% da população é acometida pela doença. Faça as contas: é muita gente!

A grande maioria dos casos evoluirá bem e em cerca de uma semana estará em franca recuperação, mas uma parcela de pessoas mais susceptíveis a complicações desenvolverá formas mais graves, necessitando de internação hospitalar, podendo, infelizmente, até evoluir a óbito.

A cada ano o Ministério da Saúde disponibiliza durante os meses de abril e maio a vacina da gripe com os vírus que estão circulando e causando a doença no momento. Este ano a vacina conta com uma combinação de 3 vírus (A/H1N1; A/H3N2 e influenza B), sendo que em clínicas particulares é possível receber a vacina com uma cepa do vírus B a mais, ou seja, protege contra um vírus a mais do que a trivalente.

 

Quem deve receber a vacina?

 

De acordo com o Ministério da Saúde, a faixa etária para crianças é de seis meses a menores de cinco anos. Integram ainda o público alvo as pessoas com 60 anos ou mais, trabalhadores de saúde, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional. As pessoas portadoras de doenças crônicas não-transmissíveis ou com outras condições clínicas especiais também devem se vacinar.

 

Por que as grávidas não podem ficar de fora?

 

A vacina da gripe recebida pela gestante protegerá a ela e ao bebê. Além disso, existem boas evidências de que as mulheres grávidas possuem um risco aumentado de evoluir com complicações, especialmente em estágios mais avançados da gestação.

Uma das principais complicações da gripe inclui a pneumonia, a otite média (infecção do ouvido médio), além de quadros mais graves como sepse (infecção generalizada), meningite e encefalite. E tudo isso causado por uma doença viral que pode ser prevenida com apenas uma dose de vacina!

 

A vacina é segura para as gestantes?

 

Sim, é segura. Inclusive eu, que estou gestante, vou garantir a minha já esta semana 😉

O mais legal da vacina é que a proteção também é transferida para o bebê. Então, uma preocupação a menos quando o fofinho nascer, certo?

 

Já tomei a vacina ano passado. Preciso tomar este ano de novo?

 

Sim, precisa. Como eu falei, a vacina a cada ano é formulada com cepas diferentes de vírus, então a do ano passado não serve para este ano.

 

É verdade que a vacina da gripe pode transmitir a gripe?

 

Não, de jeito nenhum, absolutamente não!

A vacina contra a gripe contém vírus mortos que não conseguem causar gripe. O que pode acontecer é a pessoa ter sido infectada com o vírus da gripe na comunidade antes de receber a vacina. Outra situação é a pessoa se infectar com um vírus não contemplado pela dose.

As reações que podem ocorrer após a aplicação da vacina, de forma rara, são dor no local da injeção, eritema e induração. Essas manifestações são consideradas benignas, e passam, na maioria das vezes, em 48 horas.

A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática prévia em doses anteriores ou para pessoas que tenham alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados.

Enfim, se você está na população prioritária para receber a vacinação procure um posto de saúde e garanta a sua dose!

Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.