Do hospital para casa – O que fazer para evitar a infecção

discharge_1O mundo é dos micróbios – dizia uma colega de faculdade… Vinte anos se passaram e a afirmação ainda faz sentido: os germes estão em todos os lugares!

Em termos práticos, a maioria esmagadora desses microrganismos não nos fará adoecer já que temos mecanismos de defesa como a pele e o sistema imunológico bastante competentes. Eventualmente, alguma quebra nas barreiras de proteção naturais ou uma queda no sistema imunológico nos faz susceptíveis a germes antes inofensivos. Esse pode ser o caso do paciente que passou por internação hospitalar, cirurgia ou tratamento oncológico, por exemplo.

Cuidados ao chegar em casa

Higienize as mãos. A medida é sabidamente a mais eficaz para prevenir infecções. É importante se você for o próprio paciente ou se for a pessoa responsável por cuidar dele.

Utilize água e sabão se as mãos estiverem visivelmente sujas, quando utilizar o toalete ou se for manipular alimentos diretamente. Em todas as outras situações, prefira o álcool gel – mais eficiente, mais rápido que a higiene com água e sabão e mais suave para a pele das mãos.

Neste post falamos bastante a respeito disso. Vale a pena dar uma boa olhada.

Certifique-se que todos que entram em contato com o paciente higienizem as mãos. Mesmo que seja apenas um visitante.

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Cubra a boca e o nariz ao tossir ou espirrar. Parece bobagem, mas a disseminação de vírus respiratórios, como o da gripe, por exemplo, ocorre também através do contato com superfícies contaminadas pelas mãos da pessoa doente. Sempre que tossir ou espirrar, cubra nariz e boca com um lenço descartável ou com o seu próprio braço. Isso evita a disseminação para o ambiente e para as superfícies tocadas pelas mãos.

Não visite pacientes em casa se estiver doente. É óbvio, mas vale o lembrete.

Tome a vacina da gripe. Importante tanto para o paciente quanto para quem convive com ele no domicílio. Leia aqui para mais informações sobre o que fazer ao visitar um paciente.

Capriche na higiene bucal. Não negligencie a higiene bucal do paciente, mesmo se este estiver se alimentando por sondas nasoentéricas. A migração de bactérias da boca para o interior do coração ou para as válvulas cardíacas é uma situação grave chamada endocardite infecciosa e pode ocorrer em decorrência de doenças periodontais.

Cuidados especializados

FERIDAS

De modo geral, feridas cirúrgicas não necessitam de oclusão. É rotina em boa parte dos serviços de saúde ocluir as feridas operatórias por no máximo 48 horas, deixando-as abertas após este período. Sendo este o caso, recomenda-se higienizar o local da incisão durante o banho com água e um sabonete neutro, secando a área com toalha macia destinada apenas para o local – não usar a mesma toalha de banho.

Não toque o local da cirurgia com as mãos não higienizadas e mantenha uma boa higiene da vestimenta e do ambiente.

Se a ferida apresentar drenagem de secreção ou se necessitar de oclusão, proceda a limpeza do local após o banho com Soro Fisiológico 0,9% (nunca utilize álcool, água oxigenada, iodo) e a proteja com gaze e micropore. A troca de curativo deve ser diária ou sempre que necessário.

SONDA VESICAL

A sonda vesical de demora é um cateter inserido na bexiga através da uretra para realizar a drenagem de urina. É um importante fator de risco para infecções de trato urinário tanto no ambiente hospitalar quanto em casa. Caso seja necessária a permanência do dispositivo após a alta do paciente, alguns cuidados devem ser observados para evitar a ocorrência de infecção.

– Higienizar as mãos álcool gel antes e após manusear o sistema;

– Manter a bolsa abaixo da cintura para não haver refluxo de urina para bexiga, especialmente se o paciente tem mobilidade para andar;

– Pinçar o clamp (presilha que fecha a drenagem) sempre que o paciente for levantar do leito, sentar ou caminhar. Lembrar de abrir novamente a presilha para não causar retenção urinária;

– Não encostar a bolsa coletora no chão de maneira alguma;

– O sistema não pode ser desconectado em hipótese alguma. Ou seja, a bolsa coletora sempre deve ficar acoplada a sonda vesical.

– Se estiver usando bolsa de perna: deixar presa na perna, não apertar o elástico para não prender a circulação;

– Esvaziar a bolsa coletora a cada 6hs e sepre que necessário. Durante o esvaziamento o tubo de drenagem não deve tocar no vaso sanitário para não haver contaminação;

– Fixar a sonda com micropore: sexo feminino, na parte interna da coxa e sexo masculino na região supra púbica;

– Higiene íntima diária e rigorosa.

 SONDA NASOENTERAL

Quando a alimentação por boca não é possível, um tubo fino e flexível é inserido através do nariz para o estômago ou para a primeira porção do intestino para que a nutrição seja realizada.

Cada paciente receberá um orientação personalizada quanto ao aporte nutricional, tipo, volume e esquema de infusão da dieta prescrita pelo médico e nutricionista.

 

Cuidados gerais com a sonda nasoenteral

 

– Trocar a fixação do cateter diariamente, limpando as narinas e retirando qualquer resíduo de cola da fixação anterior.

– A sonda não deve ficar dobrada nem tracionar as narinas.

– Sempre proceder a lavagem da sonda após a administração da dieta com água filtrada conforme indicação do médico e nutricionista. Em caso de obstrução, procurar o serviço de saúde imediatamente.

– Nunca administrar dieta enteral caso a sonda esteja deslocada. Tal procedimento pode ocasionar aspiração do conteúdo da dieta para os pulmões colocando a vida do paciente em risco.

– A preparação da dieta varia de acordo com a orientação nutricional. Estes três manuais (aqui), (aqui) e (aqui) são muito bons e completos, entretanto não substituem a orientação recebida do profissional.

Durante a permanência do paciente em casa as medicações prescritas devem ser administradas corretamente, especialmente antibióticos. Deve-se monitorar a temperatura corporal diariamente e procurar o médico responsável ou o pronto atendimento caso haja elevação – 37,8º C ou mais.

Caso seja evidenciado qualquer sinal sugestivo de infecção, procurar atendimento médico com urgência.

 

 

Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.