Gravidez e cafeína: o quanto é seguro para mamãe e bebê?

gestanteProfissionais de saúde usualmente tomam muito café. Não fiz nenhum estudo sobre o tema, mas a afirmação parte meramente de meus 20 anos de observação. Bebemos porque desejamos estar mais atentos e focados – e a cafeína ajuda nisso, mas bebemos também porque ao longo do dia extenuante de trabalho a hora do café pode ser aqueles “5 minutos” que trazem um refresco para a jornada difícil.

O fato é que, quando engravidamos, ficamos cara a cara com a necessidade de diminuição drástica do café… E agora, José? *

 

Experiência própria

Vivendo no momento o que a medicina chama de “Reestreia Funcional” (10 anos ou mais de intervalo entre o último parto e o atual), no meu caso 16 aninhos, sinto pela segunda vez o que a falta de caféina é capaz de fazer. A privação de café faz um upgrade naquele sono característico da gravidez e as dores de cabeça esperadas no primeiro trimestre não me esqueceram, pelo menos até a 13ª semana. Agora, quase na reta final, eu e o café meio que “fizemos as pazes com algumas restrições”, rs.

Pode ou não pode?

Primeiro, a cafeína não está apenas no café. O chá verde, preto, mate, bebidas energéticas, chocolates, suplementos de guaraná e refrigerantes a base de cola tem em sua composição uma boa quantidade de cafeína também.

A cafeína passa para o feto através da placenta, entrando em sua corrente sanguínea. Normalmente nas gestantes a cafeína tem uma meia vida mais longa, ficando, portanto, mais tempo circulando no organismo. No bebê essa meia vida é ainda maior.

Trocando em miúdos, você vai ficar alerta por mais tempo com uma xícara de café quando estiver grávida. Logo, os abusos da cafeína ao longo do dia serão mais evidentes em você e no seu bebê.

A cafeína pode provocar aborto?

Em uma revisão da literatura (aqui) de 2013 da Cochrane, foram analisados os efeitos da cafeína na saúde fetal e a conclusão foi de que faltam evidências para confirmar ou refutar a orientação de diminuir a ingestão de cafeína na gestação e os estudos arrolados na revisão sequer citaram o desfecho aborto.

Um documento do Congresso Americano de Ginecologia e Obstetrícia (aqui) mostra que o consumo moderado de cafeína (menos que 200 mg ao dia) NÃO parece ser um fator que contribua com a ocorrência de aborto ou parto prematuro. Todavia, a associação entre cafeína e baixo peso ao nascer ainda permanece indeterminada. Mas, mais uma vez o trabalho demonstra que não foi possível estabelecer ou descartar a relação.

Conselho

Limite-se ao mínimo após os três primeiros meses e prefira o descafeinado. Essa é a orientação de boa parte dos obstetras. Claro que todo mundo conhece alguém que tomou café e coca cola a gestação toda a vontade e teve um bebezinho lindo e perfeitamente saudável. Mas de verdade, por que arriscar?

Passada a sonolência que a abstinência da cafeína e a gestação causam no início, o segundo e o terceiro trimestre passam voando e esse caminho é maravilhoso, com ou sem café.

Para dar uma noção da quantidade de caféina em cada forma de preparo do café:

cafeina

 

* Poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1942.

 

Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.