Mesmo com tantas evidências, alguns pais não vacinam seus filhos

Untitled designA maioria dos pais entende a vacinação como uma medida necessária para livrar os pequenos de doenças como sarampo, caxumba, rubéola, coqueluche, varicela e pólio, por exemplo. Outros, entretanto, aprisionados em um conceito de que a vacinação pode ser perigosa para as crianças, surpreendentemente, decidem não imuniza-los. O que começou como um pequeno movimento envolvendo alguns pais e, infelizmente, algumas celebridades, hoje podemos dizer tratar-se de um problema de saúde coletiva. O Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos noticiou que desde que a rubéola havia sido eliminada há 14 anos atrás, nunca houve um surto envolvendo tantos casos como neste ano.  A maior parte das pessoas infectadas não havia tomado nenhuma dose da vacina. De janeiro a junho foram 539 casos confirmados em 20 estados americanos. Isso é muito.

Vítimas do sucesso

Esse movimento de não vacinação não é exclusivo dos americanos e europeus. Aqui no Brasil também existe uma corrente que defende que é direito dos pais decidir se os filhos devem ou não ser vacinados. Em 2011, foram registrados 26 casos de sarampo no Estado de São Paulo. Cerca de 60% deles entre crianças não vacinadas por opção dos pais, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Mas, quando se trata de algo que interfere na saúde da comunidade, cabe a decisão ser unicamente dos pais? A verdade é que foi graças à ciência e ao acesso irrestrito a vacinação que alguns passaram a ter a falsa sensação de que as vacinas previnem doenças que não são importantes, ou até, que talvez nem mais existam. Uma pena, pois quem viveu na época das mortes por varíola, poliomielite e sarampo, sabe o valor da imunização e pais que optam por não vacinar seus filhos podem ter por consequência a perda desse filho, pois todas as doenças previníveis por vacinas tem potencial de matar.

Vacinas e autismo

Em 1998 o inglês Andrew Wakefield publicou um artigo na revista médica “Lancet” , um periódico de grande circulação, onde associava a vacina Tríplice Viral MMR (contra sarampo, caxumba e rubéola) a ocorrência de casos de autismo. Posteriormente, outros  trabalhos foram realizados desmentindo a suposição e o pesquisador teve seu registro no Conselho de Medicina cassado após ser acusado de fraudar dados do estudo.

Ciência versus crença

Mesmo desacreditado pela ciência, estudos como este, e-mails fraudulentos e informações enganosas continuam alimentando a crença de que a vacinação é prejudicial à saúde, que é fruto do oportunismo dos laboratórios farmacêuticos e de que os pais podem decidir vacinar ou não seus filhos, mesmo que essa atitude coloque em risco a vidas das outras crianças.

A ideia em termos de boa cobertura vacinal é que quando a vacina atinge no mínimo 95% das crianças de uma comunidade, todas ficam protegidas. Os outros 5% que por alguma razão médica não puderam receber a vacina permanecem protegidos, pois há garantia de que as outras crianças já imunizadas não transmitirão a doença para a não vacinada.

Ou seja, vacinar um filho é muito mais do que uma decisão individual!

 

 

Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.