Os lugares mais nojentos da sua academia e o que fazer a respeito.

Tom-Xia-18_08_13-To-gym-or-not-to-gym-480x270Já falei que recentemente mudei meus hábitos (aqui). A diferença mais importante foi a prática regular de atividade física que eu associei a uma dieta que já era bem legal. Só que uma enfermeira de controle de infecção vê as coisas por um ótica “microbiológica”, rs rs…. E é sobre essa ótica que vamos conversar.

Alguns conceitos básicos de controle de infecção no que diz respeito a superfícies é que aquelas que são mais tocadas representam maior risco. No hospital a gente pode citar as maçanetas, botões de aparelhos assistenciais, bancadas de manipulação de medicamentos, entre outras tantas.

Partindo deste mesmo raciocínio, a academia reúne equipamentos de elevada manipulação e como veremos, com condições ideias de disseminação de germes.

Um estudo realizado em uma academia de ginástica de Ohio (aqui) mostrou as superfícies campeãs de contaminação.

O CDC (Centro de Controle de Doenças) afirma que cerca de 80% de todas as infecções pode ser transmitida pelas mãos. Com base nessa afirmação, fica claro entender que as superfícies muito contaminadas, as quais ficamos expostos durante a prática de atividade física, podem sim nos fazer adoecer.

As superfícies que apresentaram maior contaminação segundo o estudo foram as maçanetas, os pesos e barras, os colchonetes e os botões de controle de todos os aparelhos de cardio. Mas não só.

Os  mais comuns e perigosos agentes infecciosos encontrados nas academias foram o norovirus, causador número 1 de gastroenterites (virose que causa diarreia e vômito), a E. coli, bactéria responsável por inúmeras intoxicações alimentares e até a mais mortal das bactérias – o Staphylococcus aureus resistente a oxacilina, que em inglês conhecemos sob a sigla MRSA.

Felizmente, existem cuidados que precisamos observar para que o nosso momento fitness não se transforme em vômitos, diarreia, conjuntivite ou ainda uma infecção de pele devastadora. Preste atenção:

1. Bebedouros de água

Os bebedouros, particularmente os botões de acionamento, podem tornar-se contaminados por uma variedade de germes, incluindo o norovirus, que é capaz de sobreviver por até 4 semanas em uma superfície. E gente,  4 semanas é tempo suficiente para você e eu passarmos nossas mãozinhas por ali. O risco pode ser ainda maior se tocarmos o bico de saída da água com a boca. Eca.gym-2

 

A dica de ouro é levar a sua garrafinha de água de preferência cheia.

 

2. Garrafa de água

Falando nela, apesar de ser mais segura que o bebedouro, se você tocar com as mãos o bico ou o gargalo da garrafinha, pode ser visitado por microrganismos capazes de causar um bom estrago na sua saúde.

 

A dica é escolher bem o modelo da garrafa, preferindo aquelas que abrem sem que você toque próximo ao local onde sua boca faz contato. Se a sua garrafa é reutilizável (muito mais ecológico) lembre-se de lavá-la e de deixa-la secar naturalmente quando chegar em casa.

 

3. Atividades coletivas

A exemplo de jump, pump, zumba, local, pilates e outra infinidade de modalidades, a proximidade com o grupo poderá expor você a doenças virais, em especial a Influenza (gripe).  

 

A dica nesse caso é não frequentar as aulas se estiver gripado. Como não podemos garantir esse procedimento com todo mundo, se ver colegas com sintomas respiratórios, fique longe. A gripe é transmitida através de contato respiratório próximo (menos de 1 metro) e através de contato das mãos com superfícies contaminadas com o vírus da gripe. Assim, tenha o hábito de carregar uma solução de álcool gel, não só para esta situação, mas para a vida mesmo.

 

4. Bolsa de ginástica

Você já viu (aqui) que as bolsas podem ser verdadeiros reservatórios de bichos nojentos. A de ginástica não é diferente. O raciocínio é que às vezes nem a gente mesmo consegue saber por onde a nossa bolsa andou e que história ela carrega. Além do que a bolsa de ginástica guarde coisas úmidas, sapatos e afins. A chance de ela ter entrado em contato com o chão, principalmente do banheiro, não é nada difícil.

 

Os cuidados a gente lá listou no post sobre as bolsas e vale relembrar.

 

5. Colchonetes

Ainda reforçando o conceito de que TODA superfície de alto grau de contato representa risco de contaminação, o colchonete é um baita reservatório.

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A dica é JAMAIS deitar diretamente no material. Ele é feito de superfície impermeável que permite a desinfecção prévia e, sendo assim, use aquele borrifador de álcool que a academia dispõe. Agora, se a academia não dispõe, repense sua escolha, isso é um cuidado básico. Além disso, deite-se sobre a sua toalhinha, claro.

 

6. Bancos de bicicletas ergométrica e de spinning

O material que compõe ambos é normalmente macio e um pouco poroso. Isso é um ambiente mais que perfeito para bactérias crescerem e multiplicar-se.

 

A dica segue o cuidado com os colchonetes: álcool, álcool e álcool.

 

Todos esses cuidados são simples e essenciais. Além destes, existem mais alguns que também são bem vindos para manter a saúde na academia:

  • Evite tocar os olhos, nariz e boca até que tenha higienizado as mãos;
  • SEMPRE realize desinfecção de todos os equipamentos antes de utilizar;
  • Após terminar a atividade lave as mãos no vestiário ou passe álcool gel;
  • Não deixe toalhas úmidas ou roupas usadas na bolsa de ginástica;
  • Não partilhe toalhas. Jamais. A regra serve para os outros itens de higiene, claro.
  • Troque as meias diariamente. O suor é delicioso para os fungos;
  • SEMPRE use chinelos no banheiro da academia. Nem pense em pisar no chão do Box do chuveiro sem calçado. Uma micose na unha do pé é um transtorno inesquecível, vai por mim.

No mais, o verão está chegando…. Bora pra academia!

Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.