Os mais sujinhos da cozinha – Parte 1

Fresco_White_largeAinda não havia contado, mas estou fazendo gastronomia! Não um curso superior, mas um curso de chef no modelo express para começar. É um momento maravilhoso no meio da minha semana, pra desopilar e curtir um lado saudável e criativo que eu tenho, apesar da minha rotina de viver em meio a exames microbiológicos, visitas técnicas, indicadores e colônias de bactérias.

Nem consigo dizer o quanto tem sido bom. Descubro ingredientes, técnicas e receitas super incríveis e ainda faço bonito lá em casa, todo fim de semana! Marido e filho felizes, bem alimentados e cheio de elogios, rs rs.

Mas por que o assunto?

Muitos de nós tem a impressão errada de que a cozinha, por ser um lugar onde essencialmente se manipula alimentos, em sua maioria frescos, está livre do risco de contaminação. Às vezes temos um mal estar gastrointestinal e acabamos buscando a causa no que comemos fora de casa quando, em muitos casos, o problema está bem pertinho. E os mais sujinhos da cozinha, quem são?

Tábua de cortechopping_onions

A gente conhece lá em casa por tábua de carne, mas a bem da verdade, ela não serve só para cortar carne e também não é só de madeira… O importante é que, sem o cuidado adequado, elas podem servir de reservatório para microrganismos causadores de doenças, contaminando tudo o que cortamos nelas.

A pergunta, que já virou até episódio daquele programa do Discovery Channel “Mythbusters”, é: qual a melhor opção – madeira ou plástico. Vamos aos fatos.

Uma regra de ouro é que você vai precisar de pelo menos duas tábuas de corte. Uma para frutas, vegetais, pães ou qualquer outro alimento que seja seguro consumir cru e segunda tábua para cortar carnes cruas, peixes e todo tipo de alimento que necessita de cozimento.

Madeira X Plástico

Esse debate é antigo e frequente, já falamos. Existem cientistas que alegam que a madeira possui a propriedade natural de ser bactericida. Mas há muitas, muitas controvérsias. O raciocínio mais coerente na minha opinião é de que a madeira absorve microrganismos de forma muito mais competente do que os repele ou elimina.

Já as tábuas de corte de plástico, quando novas, são fáceis de lavar e até passíveis de desinfecção. O problema começa quando a tábua fica desgastada pelo uso das facas, coisa que acontece naturalmente com o uso. Os cortes feitos no material geram um habitat delicioso para os microrganismos e, acreditem, eles vão desejar muito permanecer lá.

Diante disso, a conclusão é que o mais importante é saber como limpar a tábua de corte, seja ela de madeira ou plástico.

Pra começar, deixe a sua tábua de corte para ser lavada por último. Inicie o trabalho usando uma daquelas escovas para louça a fim de remover a camada mais externa de matéria orgânica e depois uma boa esfregada com água morna (de preferência) e detergente serão suficientes. A água morna não tem temperatura suficiente para matar os microrganismos, mas ela ajuda a desengordurar e remover sujeira, contribuindo para que os bichinhos não encontrem abrigo nem comida.

Basicamente é isso. Sem necessidade real de produtos químicos, apenas água, sabão e um bom esfregão, como diria uma amadíssima professora que eu tive na faculdade. Depois de limpa, deixe que seque naturalmente e bem antes de guarda-la. Se você achar que a tábua de plástico está precisando de um hipoclorito pra melhorar a aparência é bem provável que na verdade ela esteja precisando realmente é de uma substituta.

Em resumo: Compre duas tábuas e mantenha-as bem limpas, mas não se esqueça: elas são elementos críticos na sua cozinha e merecem sim toda essa atenção e cuidado! E quanto a esponja que você vai lava-las, por favor, leia aqui o que fazer.

Copo do liquidificadorblender

Ninguém pode dizer que está surpreso, certo? Os mais modernos foram sendo aprimorados no quesito facilidade de limpeza, mas alguns modelos deixam MUITO a desejar.

O NSF (The Public Health and Safety Organization) fez uma lista dos locais mais sujos de nossa cozinha e o copo do liquidificador, claro, está na lista.

A pesquisa envolveu a coleta de amostras da cozinha de 20 famílias e o que se encontrou nos copos de liquidificador foi nada mais nada menos do que Salmonella, E.coli e fungos. O porquê, claro, é que a complexidade do equipamento dificulta a limpeza e a presença de restos de alimento favorece o crescimento de microrganismos. Um hotel 5 estrelas para germes.

A estratégia é não comprar copos que não possam ser desmontados. A lâmina precisa sair do copo para que possa ser limpa. Não tem segredo para limpar, mas é necessário o acesso a todas as partes do dispositivo. A regra “água, sabão e um bom esfregão” é a mais válida e utilizar água quente para ajudar a remover a gordura também é interessante. Depois de lavado deixe secar completamente antes de montar o copo. E, claro, faça isso a cada uso.

Os outros “sujinhos da cozinha” são: a gaveta de legumes da geladeira e o compartimento de carne, o abridor de latas, a espátula de borracha, o cepo de facas, potes plásticos e os dispensadores de água dos refrigeradores.

Acompanhe o Benedita porque vamos voltar a falar sobre isso.

Por enquanto, vou testando minhas novas receitas e quem sabe um dia apareço com elas por aqui.

Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.