Viciado em Facebook? Descubra.

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(Image Source: Voices from Russia)

Recentemente estive em um congresso dirigido apenas para mulheres. Uma das preletoras fez uma colocação interessante que me fez refletir ao longo desses dias e escrever algo a respeito. Ela referiu o quanto o “compartilhar” e o “curtir” tem sido fontes momentâneas de prazer. E como uma droga, cada vez que o efeito passa, a gente acaba buscando mais umas curtidas, mais um pouco de aprovação e a vida segue assim, de curtir em curtir… Será?

Essa é a ideia de alguns artigos que eu li e pesquisei aqui, aqui e aqui:

O facebook tornou-se parte da nossa vida e de cerca de 1 bilhão de pessoas. O tempo gasto com ele aumentou consideravelmente, muito por conta da relativa popularização dos smartphones e dos planos 3G. Essa facilidade de acesso faz com que você use quando quiser e onde estiver.

A gente pode se perguntar: o que tem de errado em usar o facebook quando tenho um tempinho livre? Nada, na verdade. A questão é que muitos estão ficando sem esse “tempo livre” exatamente por ocupar todo o tempo disponível com o facebook entre outras redes sociais.  Toda atividade que passa a interferir negativamente na sua vida diária e no tempo gasto de maneira funcional  (presente, atento e não de cabeça baixa mexendo no Iphone) deve ser observada com mais atenção.

Aqui estão alguns sinais de que algo não vai bem na sua relação com a rede de Mark:

1. Excesso de compartilhamentos

Por uma razão realmente instigante, a despeito de toda preocupação com a privacidade por parte de muitos, o excesso de informações pessoais, de localização, de estado de humor e afetivo por parte de outros tantos chega a ser até desconcertante. Eu particularmente já bloqueei alguns contatos por julgar incômodo tantas fotos sorridentes postadas ao dia. Não, antes de qualquer julgamento, eu amo a felicidade – minha e alheia – mas sinceramente, 10 fotos da mesma pessoa sorrindo no espelho, no elevador, no banheiro e na cozinha mostradas no seu feed é razão suficiente  pra se repensar o relacionamento…

O que também intriga é que muitos, voluntariamente, partilham publicamente seus segredos e sua intimidade na rede. Coisas que talvez sequer falariam  durante uma conversa viram atualização de status.  A razão talvez seja a busca por consolo, atenção ou aprovação, mas muitas vezes, basicamente, trata-se apenas de ter o que postar, sem a clareza do ganho secundário a essa ação.

Todos nós temos necessidade de aprovação social e essa necessidade é legítima, acho que faz parte de se viver em sociedade. Sendo assim, não há erro em postar parte da sua história e estabelecer pontes de relacionamento com pessoas que muitas vezes estão geograficamente muito distantes. Mas veja, eu disse parte de sua história.

O vício de facebook pode ser manifesto através de uma dificuldade muito grande em discernir o muito do pouco no que se refere ao tempo de uso, número de compartilhamentos e atualizações de status.

2. Viver o tempo todo logado     face

Conheço pessoas que trabalham com o facebook aberto em segundo plano para poder checar as atualizações online. Há também aqueles que em todo momento livre se conectam para ver as respostas dos seus posts ou o feed de notícias o que, trocando em miúdos, significa dizer que a escolha do que fazer com o seu tempo livre consiste em estar no facebook.

Por isso que, sem perceber, logamos no aplicativo do facebook quando estamos em almoços de família, reuniões de amigos, esperando o elevador e etc. Com isso definimos como “tempo livre” momentos que na verdade não são.

3. Preocupação excessiva com a imagem mostrada na rede

O seu facebook não precisa e não deve ser um livro aberto sobre a sua vida. Mas se existe uma preocupação excessiva em como estamos sendo vistos na rede social e mais, como podemos melhorar a percepção de todos sobre quem somos, isso é um sinal de alerta. O tempo que você gasta pensando em coisas legais, engraçadas, inteligentes, enfim, coisas que te farão ser bem aceito e bem “curtido” são um bom sinal para medir o risco ou a dependência.

4. Sacrificando a vida social

Estar conectado a pessoas através das redes sociais pode ser chamado de relacionamento?  Bem, há que diga que sim, entretanto a comunicação face a face em vida real ainda é a receita para estabelecer laços mais saudáveis. Esses relacionamentos podem até ser beneficiados com o contato online, já que a troca de fotos, mensagens e comentários aproxima pessoas, mas se a vida offline está substituída pela online, temos problemas.

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Ok, ok. Acho que preciso de ajuda…

Se eventualmente, às vezes nos fins de semana, você se exceder nos compartilhamentos e perceber, repense e tente não cair na armadilha novamente. Mas se você se identificou com os sinais e sintomas aí de cima e deseja reverter essa situação a dica de ouro é a que eu aprendi no congresso que falei no começo: o vício a gente mata de fome!

As dicas para lidar com o uso excessivo e prejudicial das redes sociais podem ser resumidas em:

  1. Admita que o problema existe;
  2. Estabeleça um horário fixo (e rígido) de utilização do facebook e das demais redes;
  3. Desligue as notificações automáticas no celular;
  4. Não trabalhe com as redes abertas em segundo plano;
  5. Não troque momentos em família e em comunhão por navegações na rede social. Qualquer que seja.
  6. E o mais importante: cumpra os acordos que fez consigo mesmo.

Pode parecer incrível para alguns, mas eu tenho amigos que não tem perfil em rede social!! Ou seja, é possível viver offline e ter uma vida social plena e divertida.

Por último, um reforço importante:  o vício a gente mata de FOME.

Mari Liborio, enfermeira, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Controle de Infecção.